domingo, 26 de setembro de 2010

Os contribuintes da corrupção

Outro dia fui à missa e ouvi uma passagem bíblica interessante para os dias de hoje, onde o apóstolo Paulo escreve a Timóteo (1 Tm 2, 1 – 8) e recomenda que façam preces e orações, súplicas e ações de graças por todos os homens; pelos que governam e por todos que ocupam altos cargos, a fim de que possam levar uma vida tranquila e serena, com toda piedade e dignidade.
Precisamos realmente de preces e orações mas, antes de tudo, precisamos de eleitores alfabetizados e críticos, pessoas letradas que façam jus à democracia. Não de uma unanimidade burra que sirva de massa de manobra. Vemos escândalos todos os dias nas TVs e isso já é rotina, faz parte da paisagem diária, nem sequer conduz à reflexão. Aliás, alienados não refletem!
A culpa da corrupção é, antes de tudo, do povo que não tem compromisso com o seu país, com o lugar onde mora. Políticos não são seres alienígenas; são pessoas do nosso meio que escolhemos para nos representar e, infelizmente, escolhemos mal. Se são corruptos é porque a sociedade lhes ensinou, ou esquecerão que somos produto do meio? Reclamamos, e ao mesmo tempo, dizemos: “todos roubam”; “rouba mas faz”; “se fosse qualquer um de nós, também roubaríamos”; “o dinheiro corrompe”. É dignificante a sutileza do pensamento da massa brasileira.
Nada justifica a corrupção! Os agentes políticos e representantes do judiciário são os que ganham os melhores salários no Brasil e é de onde vemos sair às piores mazelas e notícias nos telejornais. Ninguém rouba porque ganha pouco, nem mesmo porque está no meio de ladrões. Roubam porque querem, porque são ladrões desde antes de estarem ocupando essas posições. Um agente público recebe propina porque não tem caráter e não porque seu salário é pouco. Devemos parar de inventar desculpas com a intenção de justificar a nossa desonestidade. Conheço pessoas que ganha salário-mínimo e vivem dignamente sem necessidade de serem corruptos.
Nas empresas particulares o controle financeiro é ferrenho para evitar desvios e tal prática é motivo de demissão por justa causa. Nas empresas públicas em sentido amplo, com tantos “donos”, a roubalheira é desenfreada, chega a R$ 40 bilhões anualmente. Assistimos essa farra de camarote, é claro, somos um país rico, portanto, podemos. A honestidade representa pequenas ilhas em meio a um oceano de corrupção. Dificilmente a encontramos.
É sabido por todos que a raiz da alienação está alojada na péssima educação. No entanto, o trinômio perfeito, que se torna imperfeito, saúde-emprego-educação, é degustado por todos os candidatos em seus programas. Chego a pensar que são palavras com sabor de mel. Falam de maneira tão genérica que nem sequer sabem por onde começar, caso sejam eleitos, ou como diz o adágio: “falam para a boca não feder”. E claro, sabemos que eles não farão nada pela educação, principalmente, porque não é primeiro plano na vida de muitos brasileiros. O que as crianças aprendem com isso é que podem conseguir as coisas, mesmo ficando deitadas em berço esplêndido, simplesmente com o jeitinho brasileiro. Pessimismo meu? Não. Lembro-me do senador Cristovão Buarque, quando candidato à presidência da república, que amargou 2% dos votos do eleitorado brasileiro. É esse o número que expressa a vontade de educar no dizer de Alexandre Garcia.
Caro Alexandre, você também não está sendo pessimista? Quem mais estaria, além de nós?      

Arnaldo Filho é graduado em Matemática, especialista em Educação e estudante de Direito – FACDO.
prof.arnaldo_filho@hotmail.com

Censura à liberdade de expressão no Tocantins: atropelo ao texto constitucional.

Abuso de poder, uma afronta à democracia, à liberdade de expressão. É a maneira que qualifico a decisão do desembargador do TSE, Liberato Povoa, sábado, 25, na liminar que proíbe a imprensa tocantinense de divulgar qualquer notícia acerca das investigações do MPE de São Paulo sobre o esquema de fraudes em licitações e suposto envolvimento do governador Carlos Gaguim. Simplesmente, deplorável tal atitude. 
Isso me faz lembrar do AI-5, que suspendeu várias garantias constitucionais inclusive quaisquer manifestações de natureza política. A constituição cidadã de 1988 não deve ser um mero livro de enfeito para o nosso país, e, as garantias constitucionais, só se tornarão realmente garantias se forem respeitadas por quem tem o dever de preservá-las. A livre liberdade de comunicação, independentemente de censura e licença é prevista no artigo 5º, inciso IX, e, claro, sendo assegurado o direito de resposta proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem, inciso V do mesmo artigo. O desembargador preferiu censurar à garantir a liberdade de expressão e de resposta pelos ofendidos e indenização.
É importante ressaltar que essa prática de censura, não através de liminares, mas através de críticas à imprensa, vem sendo, reiteradas vezes, praticada pelo presidente Lula. Diante da sequência de escândalos na Casa Civil, Lula vem tentando desqualificar a imprensa com ataques furiosos. Ultimamente, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, ABERT, teve que recorrer ao STF por meio de uma Ação Direita de Inconstitucionalidade para suspender o inciso II do artigo 45 da Lei Eleitoral (Lei 9.504/97) que proibia as emissoras de veicular programas que viesse a degradar ou ridicularizar candidatos nos três meses que antecedem às eleições. Foi concedida liminar à ABERT e os ministros também declararam inconstitucionais os parágrafos 4º e 5º do mesmo artigo da Lei Eleitoral. Em seus argumentos, a imprensa não está proibida de realizar crítica jornalística favorável ou contrária a candidato ou coligação. Parece-me que o desembargador Liberato não comunga do mesmo entendimento.

Essa atitude tem seus precedentes. Quem não lembra do dia 31 de julho de 2009, quando o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proibiu veículos de publicarem reportagens sobre a Operação Boi Barrica e ainda estabeleceu multa de R$ 150 mil por “cada ato de violação do presente comando judicial”. Na época, atendeu-se ao sutil pedido de Fernando Sarney porque estava ferindo a honra da sua família. Na ocasião a Ordem dos Advogados do Brasil, disse que a decisão do juiz Dácio Vieira restaura a censura prévia no país, utilizada no triste período do regime militar. Ainda completou: se alguém se sente prejudicado com o conteúdo de matéria jornalística, a medida adequada deve ser a de processar civil e criminalmente o responsável mas jamais qualquer pessoa tem o direito de retirar a expressão do seu pensamento. Deveria ser essa a atitude a ser tomada no Tocantins e não suprimir, arrancar, o direito democrático de expressão do pensamento e comunicação.

Não podemos esquecer: o desembargador Dácio Vieira é do convício social da família Sarney.

Voltando ao Presidente...
Tendo perdido o idealismo que parecia ter antes de ser presidente e percebido a ofensiva da imprensa contra suas declarações pobres, logo procurou amenizá-las. Foi o que fez durante comício no RS, sexta-feira, 24, quando afirmou: “a democracia é isso: cada um fala o que quer, escreve o que quer e publica o que quer. A imprensa é muito importante para nós”. Disse ainda que tinha a necessidade de recuperar a cidadania deste País. A candidata Dilma Russef alertou ainda que “somos democratas porque acreditamos no povo e na liberdade de expressão”.
São lindas essas palavras, mas que pena, não passam de mera demagogia.
Basta lembrarmos quando a revista Veja, setembro/10, publicou uma matéria intitulada “A busca da Hegemonia” onde criticava a participação do governo na programação da TV dos Trabalhadores no ABC Paulista. Tal emissora será mantida pelos descontos nos holerites dos trabalhadores. É a busca pela hegemonia cultural. A garantia de um espaço exclusivo para falar bem do presidente. “Isso é uma revolução” nas palavras de Franklin Martins, Ministro da Supressão da Verdade do governo Lula, como o chamam na Veja.               
Precisamos de entidades que não baixem a cabeça diante das opressões à liberdade e à democracia. Esperamos na OAB, na sociedade civil organizada, na imprensa e todos os demais segmentos, notas de repúdio e insatisfação sobre esta decisão.
Ainda bem que ela só vale para a imprensa tocantinense e ainda podemos acessar Estadão, Veja, G1 etc.   

Professor Arnaldo Filho é matemático, especialista em Educação e estudante de Direito. Militante em Defesa da Democracia.
prof.arnaldo_filho@hotmail.com

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sorria!

             Por Gláucia Peixoto 


Sorria, porque o amor existe. Sorria, pois o sol  levantou-se mais uma vez. Sorria, sim, porque você tem uma nova chance pra fazer o que não fez e amar quem não amou. Sorria, porque tudo ainda pode acontecer, não deixe o medo vencer a beleza rara que Deus pintou em tua face. Sorria, porque as flores ainda nascem; embora  esperem pela primavera. Sua felicidade também espera  pela primavera das suas risadas gostosas. Sorria para a vida, ou a vida sorrirá de você.





             

Entre Folhas e Flores



Por Gláucia Peixoto

Hoje ao caminho do trabalho deparei-me mais uma vez com aquela velha senhora e sua arte cotidiana de varrer sua porta sempre tão cheia de folhas, reparei atentamente no seu vestido também velho, seus chinelos e passos já tão gastos pela ação inexorável do tempo, seus cabelos estavam, como de costume, envoltos em um lenço de singular colorido.


 Perguntei-me quantas portas já terá varrido em sua longa vida, naquele lugarejo tão pequeno, tão curto em esperança, talvez fosse condenada a varrer somente aquela porta.


 O que mais impressionava era, pois, a delicadeza sem enfados com a qual realizava sua arte tão repetitiva e assim, por não mais suportar aquela curiosidade mais feminista que feminina, perguntei-lhe se não seria o caso de cortar a  árvore responsável pela sugeria diária, já que haviam tantas outras no quintal, ela no entanto com seu jeito humano de mulher experiente, respondeu-me singelamente que da tal árvore ,uma vez ou outra, floresciam umas flores lindas cuja brancura fazia da calçada inteira um lindo tapete branco, acrescentou ainda que o perfume das flores era incomparável e ainda permaneciam por algum tempo depois da primavera.


 Perguntei-me então, quantos de nós tem como aquela senhora a coragem de apanhar suas folhas cotidianas até que venham as flores.


 Quantas vezes preferimos cortar nossas árvores e encarar uma vida sem flores como preço justo por um quintal sem folhas.


Muitas são as ocasiões nas quais podamos para sempre nossas árvores por nos recusarmos a varrer as mesmas folhas ou os mesmos erros que teimam em se repetir ao longo dos tempos.
 Esquecemos assim, que tal qual à árvore que derruba folhas secas e também dá flores e frutos, as pessoas que nos aborrecem com seus erros constantes podem nos trazer alegrias verdadeiras e felicidades douradoras.


A escolha depende unicamente de nós... Varrer ou cortar.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Em cada MOMENTO de nossas vidas.

Existem momentos em que o silêncio ultrapassa o consolo das palavras;

Existem momentos em que as palavras se desgastam pela calmaria do silêncio;
Nossos gestos, nossos olhares, nosso sorriso,
Tudo são meios de expressão cruciais, tanto para quem dá quanto para quem recebe;
Aliás, são estes momentos cruciais que nos inspiram a viver.
Entretanto, existem instantes em que as palavras banalizam o aconchego do silêncio, desgastando o pêndulo das nossas emoções.
Por que é tão difícil vivermos intensamente a nossa vida?
Às vezes procuramos à felicidade onde só encontraremos tribulações.
Às vezes procuramos o amor onde só encontraremos discórdias.
Às vezes esquecemos de nossa existência, tratamos-nos como máquinas, desprezamos a si mesmos, não mais acreditamos que somos capazes, não nos valorizamos como seres insubstituíveis, trocam-nos por tecnologia, pois elas produzem mais, dão mais lucros...
No mundo capitalista, enterramos nossos mais preciosos tesouros: a vida e os valores.
É hora de refletirmos...

Nas lonjuras do Tocantins


Nas lonjuras do Tocantins, o tempo de tão quente, o sol radiante, faz com que o forasteiro, despercebido do clima, franja a testa que alumia no sol das duas da tarde. Hora ou outra aquele forasteiro leva sua camisa até o rosto para enxugar seu sofrimento com um gosto salgado.

As lonjuras do norte do Tocantins. Cidades pacatas, povo humilde e hospitaleiro, apreciam uma suave conversa com o vizinho ou mesmo do vizinho ou de quem passa naquele momento. O papo dos finais de tardes. O desgaste da língua na vida do outro. As comadres não perdem o babado sobre aquele moço novato na cidade ou mesmo daqueles que injustiçadamente se embriagaram na noite e amanheceram no relento das ruas.
 Tudo é motivo de comentários. Quando o Sol está quente, aquela pobre arvore serve de abrigo àquele grupo de jovens que deserdam o trabalho e vive como andarilhos pelas sombras. Isto é o que chamam de “rádio pião”. Os grupos de novos e velhos que dão notícias de tudo que acontecem nas cidadezinhas. O povo do “fulano disse que disse”. O mais importante é o Fulano e o Cicrano. O fuxico vale mais que as notícias do Jornal Nacional.

Tardezinha é sempre um momento de “reflexão”. Até mesmo a igreja é ponto de “reflexão”. Seja do fuxico ou de oração. Ô vida tranquila, povo hospitaleiro e Sol ardente. Ô calor ferrenho das lonjuras do norte do Tocantins. As carecas iluminadas no sol refletem bem a vida do sertanejo trabalhador de roça e alguns aposentados que manejam o seu dinheiro para as pequenas farmácias a fim de viverem um pouco mais sobre aquele Sol tenebroso. Às vezes, em alguns aparenta terem levado um banho de óleo ao Sol. Com tanta emissão de CO2 na atmosfera as arvores ainda sobrevivem e servem como um refúgio ao pobre sertanejo. Nas lonjuras de todo o Norte brasileiro.

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